Quero sonhar...
O dia está a nascer. Soluço baixinho com a face molhada. Na imensidão da cidade ecoa a tua voz. Nesta hora, neste princípio de amanhecer, vejo o teu rosto no vidro da janela, ouço-te no canto dos pássaros que despertam, cheiro-te nesta solidão. O sentimento de perda perpetua-se no meu peito, queima, fere, rasga, mata-me mas continuo a viver.
Estou despida, com frio, com medo, com saudade. Dormir não faz sentido, viver não faz sentido. Sorrir não passa de uma trémula lembrança de infância, sonhar é uma ínfima partícula subsistente no meu ser. Porque não desistir? Porque não juntar-me aos pássaros que voam lá fora? O que vale esta existência?
Preciso de ti. Preciso tanto de ti. Sentir-te aqui, embalares-me até adormecer.
Preciso de sair de mim. Fugir de mim. Deixar de me esconder atrás desta pele frágil de menina com olhos cansados e tristes. Entulhar toda a dor e queimá-la, desfazer todas as suas réstias mais persistentes, triturá-la com os meus dentes que um dia se julgaram felizes por sorrirem a teu lado.
O céu clareou. Pesam-me as pálpebras inchadas, as lágrimas já secaram na minha face.
O cansaço puxa-me para a cama. Quero dormir. Quero viver. Quero sonhar...
Estou despida, com frio, com medo, com saudade. Dormir não faz sentido, viver não faz sentido. Sorrir não passa de uma trémula lembrança de infância, sonhar é uma ínfima partícula subsistente no meu ser. Porque não desistir? Porque não juntar-me aos pássaros que voam lá fora? O que vale esta existência?
Preciso de ti. Preciso tanto de ti. Sentir-te aqui, embalares-me até adormecer.
Preciso de sair de mim. Fugir de mim. Deixar de me esconder atrás desta pele frágil de menina com olhos cansados e tristes. Entulhar toda a dor e queimá-la, desfazer todas as suas réstias mais persistentes, triturá-la com os meus dentes que um dia se julgaram felizes por sorrirem a teu lado.
O céu clareou. Pesam-me as pálpebras inchadas, as lágrimas já secaram na minha face.
O cansaço puxa-me para a cama. Quero dormir. Quero viver. Quero sonhar...
