Tuesday, January 15, 2008

Catarse da existência

Solidão.
Há meses que me pergunto pela minha inspiração, pela antiga e repentina vontade de exteriorizar com a escrita o que sinto. Faz tempo que não escrevo. Faz tempo que não penso naquilo que mais temo e preciso de compreender. Faz tanto tempo que não invoco guerras surreais nos meus suspiros onde a existência e a morte se debatem.
(In) Felizmente, o afamado amor, ou o que os cépticos lhe preferirem chamar, combate tais temáticas: enquanto o sinto não me encurralo em angústias existenciais ou nas grandes questões do homem. Talvez porque me iludo pensando que enquanto ele nos acompanha o sentido de vida emerge (ah! que pena essa catarse da existência ser, na maioria das vezes, tão efémera!).
No entanto, e bem lá no fundo, a maldita e eterna companheira consciência acompanha-me sempre e continua e a impor as suas sérias questões acerca do meu sentido de vida; do meu e tantas outras vidas que raramente pensam nisso.
Continuo, portanto, sem encontrar respostas. Continuo, incansavelmente, a desejar o impossível e o que só um Deus inventado me pode dar... Assim sendo, terei de ser eu a dar a mim própria uma remediada solução para todas as dúvidas? Quem sabe, querido Ricardo Reis, um suspiro profundo com o olhar no horizonte ou uma explosão de choro me apaziguariam a revolta das pertinentes questões das tuas leis implacáveis?
E a efémera vida devora-nos lentamente, e a abrupta morte também.



“Pesa-me a lei implacável,
dói-me a hora invicta,
o tempo que não cessa”

Ricardo Reis

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