O dia a dia do que é sempre igual...
Primo o botão. Encosto a cabeça. Relembro…
“O que queres ser no futuro?” – haviam-me perguntado dias atrás.
Quero ser alguém, respondi.
Sim, reflicto agora, um alguém que não se canse da aventura de viver; aceite desafios contínuos (até os mais íngremes pois só desses resultarão os maiores júbilos), seja batalhador nos seus sonhos e convicções abstraindo-se então do anonimato; alguém diferente do padrão, da moda, do aceitar da comodidade que a monotonia da vida nos reserva; alguém capaz de mudar teorias ou pensamentos sem qualquer medo ou receio do mundo, independente de tabus ou até inibições; alguém destemido da verdade assim como lutador pela justiça, denegando sujeição a burocracias hipócritas! Alguém que, para além de tudo isto, se faça corajoso e realista a ponto de coabitar com a evidente realidade oposta.
“Mas não pensas nalguma profissão possível? Afinal é disso que um dia sobreviveremos!” – insistiram.
Não, ainda é cedo para decidir… - menti descaradamente.
Como é possível acreditarem? Não notam, no meu olhar perdido, um tumulto contido por algo tão visível a todos? “Sobreviveremos”, é o verbo, a finalidade. A vida é, nem mais nem menos, uma utópica sobrevivência à morte. Apenas existimos, não para viver, mas sim para subsistir num mundo tão módico quando comparado com a dimensão do desconhecido…Jamais! Recuso-me a tal condição. Optar por um ofício seria, fosse ele qual fosse, uma mera integração, arriscaria até, uma fixação de mim mesma nesse mundo. Seria então como que uma delineação da minha espontaneidade perante a essência da liberdade, - não percebem?! - da vida!
Porém, nada do que eu lhes disser irá inovar rotinas; os hábitos e preconceitos permanecerão naqueles que, contentando-se com o seu próprio ego, são os máximos principiadores deste préstito sem senso.
É neste local inexistente e de tempo indeterminado, ao qual chamam pensamento, mas onde, e sobretudo, eu existo, que absorvo, ao acaso, imagens de uma vertiginosa destruição e penoso sofrimento. Desvio o olhar; não adianta, a catástrofe é proclamada em toda a parte do mundo, que, como já o disse, é pequeno. Talvez por essa razão ponderei até que ponto esta calamidade poderia atingir a humanidade. Aumentei o volume. Os primeiros momentos da reportagem não me afectaram, visto as imagens serem repetidas e de, um certo modo, já as ter interiorizado como uma situação irremediável. No entanto, e quando estava prestes a afastar a minha atenção do ecrã, eis que surgem crianças e jovens, dispostos, também eles, a transmitirem palavras e expressões para a gente que os observa.
Foram as suas feridas na face e a pele bastante morena e suja que me cativaram novamente. Olhos de um menino que, num dos quaisquer dias anteriores àquele, poderiam brilhar com tanto brilho como o das estrelas, estavam agora desgarrados de qualquer sentimento ou até vida. Ouviu-se então a questão da jornalista que, no meio de tanto desastre e penúria, era como que um eclodir de uma esperança: “Depois de tudo isto, qual é o teu maior desejo para o futuro?”
“- Eu gostava de ser professor”, respondeu já sem qualquer entusiasmo na voz juntamente com uma expressão apagada, quase neutralizada, como se tal desejo fosse o único meio para a sua sobrevivência.
Fecho os olhos; uma lágrima percorre-me a face antes que eu a pudesse conter. Ele queria apenas sobreviver, quanto a mim, achava-me no direito de poder atingir muito mais do que isso.
“O que queres ser no futuro?” – haviam-me perguntado dias atrás.
Quero ser alguém, respondi.
Sim, reflicto agora, um alguém que não se canse da aventura de viver; aceite desafios contínuos (até os mais íngremes pois só desses resultarão os maiores júbilos), seja batalhador nos seus sonhos e convicções abstraindo-se então do anonimato; alguém diferente do padrão, da moda, do aceitar da comodidade que a monotonia da vida nos reserva; alguém capaz de mudar teorias ou pensamentos sem qualquer medo ou receio do mundo, independente de tabus ou até inibições; alguém destemido da verdade assim como lutador pela justiça, denegando sujeição a burocracias hipócritas! Alguém que, para além de tudo isto, se faça corajoso e realista a ponto de coabitar com a evidente realidade oposta.
“Mas não pensas nalguma profissão possível? Afinal é disso que um dia sobreviveremos!” – insistiram.
Não, ainda é cedo para decidir… - menti descaradamente.
Como é possível acreditarem? Não notam, no meu olhar perdido, um tumulto contido por algo tão visível a todos? “Sobreviveremos”, é o verbo, a finalidade. A vida é, nem mais nem menos, uma utópica sobrevivência à morte. Apenas existimos, não para viver, mas sim para subsistir num mundo tão módico quando comparado com a dimensão do desconhecido…Jamais! Recuso-me a tal condição. Optar por um ofício seria, fosse ele qual fosse, uma mera integração, arriscaria até, uma fixação de mim mesma nesse mundo. Seria então como que uma delineação da minha espontaneidade perante a essência da liberdade, - não percebem?! - da vida!
Porém, nada do que eu lhes disser irá inovar rotinas; os hábitos e preconceitos permanecerão naqueles que, contentando-se com o seu próprio ego, são os máximos principiadores deste préstito sem senso.
É neste local inexistente e de tempo indeterminado, ao qual chamam pensamento, mas onde, e sobretudo, eu existo, que absorvo, ao acaso, imagens de uma vertiginosa destruição e penoso sofrimento. Desvio o olhar; não adianta, a catástrofe é proclamada em toda a parte do mundo, que, como já o disse, é pequeno. Talvez por essa razão ponderei até que ponto esta calamidade poderia atingir a humanidade. Aumentei o volume. Os primeiros momentos da reportagem não me afectaram, visto as imagens serem repetidas e de, um certo modo, já as ter interiorizado como uma situação irremediável. No entanto, e quando estava prestes a afastar a minha atenção do ecrã, eis que surgem crianças e jovens, dispostos, também eles, a transmitirem palavras e expressões para a gente que os observa.
Foram as suas feridas na face e a pele bastante morena e suja que me cativaram novamente. Olhos de um menino que, num dos quaisquer dias anteriores àquele, poderiam brilhar com tanto brilho como o das estrelas, estavam agora desgarrados de qualquer sentimento ou até vida. Ouviu-se então a questão da jornalista que, no meio de tanto desastre e penúria, era como que um eclodir de uma esperança: “Depois de tudo isto, qual é o teu maior desejo para o futuro?”
“- Eu gostava de ser professor”, respondeu já sem qualquer entusiasmo na voz juntamente com uma expressão apagada, quase neutralizada, como se tal desejo fosse o único meio para a sua sobrevivência.
Fecho os olhos; uma lágrima percorre-me a face antes que eu a pudesse conter. Ele queria apenas sobreviver, quanto a mim, achava-me no direito de poder atingir muito mais do que isso.

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